As alianças dos times no futebol brasileiro

As alianças dos times no futebol brasileiro

O futebol brasileiro conta com diversos clubes espalhados por todos os estados e, junto deles, uma infinidade de torcidas, identidades locais e histórias que se cruzam a cada temporada.

Mesmo assim, essa relação não é feita só de rivalidade, mas também de alianças que aproximam times e comunidades, criando pontes que vão além das quatro linhas e influenciam o jeito como o jogo é vivido e vendido.

Essas alianças podem nascer e se fortalecer em camadas distintas. De um lado, clubes e diretorias se organizam em blocos para negociar interesses comuns. De outro, torcedores e organizadas constroem redes de amizade e cooperação que impactam caravanas, festas de arquibancada e até a dinâmica de segurança nos estádios. 

Enquanto os times firmam alianças estratégicas dentro e fora de campo, plataformas com bônus conquistam torcedores de vários clubes, aproveitando o engajamento crescente do público com o futebol. Saiba quando apostar e quando parar.

O que são “alianças” entre clubes e torcidas

No futebol brasileiro, “aliança” virou uma palavra-curinga. Porém, na prática, ela opera em duas camadas bem diferentes:

  • Alianças institucionais (clubes): blocos formais que se juntam para negociar direitos de mídia e ativos comerciais. Por exemplo: pacotes de TV/streaming, PPV, patrocínios ligados ao campeonato.
  • Alianças informais (torcidas organizadas): redes de “amizade” e “inimizade” que organizam proteção, recepção em viagens, coreografia, bandeiras, faixas, mosaicos e também escalam rivalidades, inclusive com laços transfronteiriços na América do Sul.

Blocos de clubes: como funcionam as frentes de TV e receita

A grande virada do Brasileirão para o ciclo 2025–2029 foi que os direitos foram vendidos por dois blocos concorrentes, em vez de uma liga única ou negociações totalmente individuais.

Isso acontece no contexto da Lei do Mandante (cada clube negocia os direitos dos seus jogos como mandante), mas, na prática, os clubes se “recoletivizaram” em blocos para ganhar escala e poder de barganha.

Dessa forma, surgiram os grupos: Liga Forte União (LFU) e Liga do Futebol Brasileiro (Libra), cada um negociando o seu acordo.

União Libra

A Liga do Futebol Brasileiro é composta por 14 equipes, nove delas presentes na elite: o Campeonato Brasileiro Série A. São eles: Atlético Mineiro, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos, Vitória, Paysandu, Remo, ABC, Guarani e Sampaio Corrêa.

União LFU

Já a Liga Forte União conta com mais clubes: 33. São eles: Botafogo, Corinthians, Ceará, Cruzeiro, Fluminense, Fortaleza, Internacional, Juventude, Mirassol, Sport, Vasco, Atlético-GO, Athletico-PR, Amazonas, América, Avaí, Botafogo-SP, Chapecoense, Coritiba, Criciúma, Cuiabá, CRB, Goiás, Novorizontino, Operário-PR, Vila Nova, CSA, Figueirense, Ituano, Londrina, Náutico, Ponte Preta e Tombense.

Alianças de torcidas: origens, códigos e rotas de viagem

Se a camada institucional é com muitos contratos e planilhas, a camada das torcidas é sobre território e rituais. E, nos últimos anos, ela ficou mais mapeável com estudos sobre as principais redes de alianças e suas lógicas. 

Um levantamento feito pelo Observatório Social do Futebol reuniu 52 torcidas em cinco grandes redes de alianças, com nomes e símbolos que aparecem em gestos e sinais nas arquibancadas: Dedo Pro Alto, Punho Cruzado, Punho Colado, Lado A e Lado B.

O mapeamento e as reportagens sobre o tema apontam que os vínculos podem surgir por motivos bem variados, como:

  • Solidariedade em viagens (acolhimento, orientação, apoio logístico);
  • Amizades pessoais e relações históricas;
  • Afinidade por cores/símbolos;
  • Rivalidades regionais e “inimigo do meu inimigo”;
  • Mudanças internas de liderança e contexto local.

Impactos no jogo: festa, rivalidade e segurança

As alianças mexem em três áreas muito concretas, envolvendo:

  • Coreografia e narrativa: faixas, mosaicos, cantos e símbolos comunicam alianças e rivalidades;
  • Viagens: com alianças, o deslocamento tem “pontos de apoio” e isso muda o fluxo de chegada, concentração e logística urbana;
  • Operação de segurança: o grau de rivalidade (e o histórico) influencia decisões como setorização, escoltas, revista, restrições de material e, em alguns estados/competições, até a torcida única como política pública/administrativa. 

Apesar dos pontos positivos, as alianças também carregam um lado sensível. Rivalidades históricas e disputas mal resolvidas continuam gerando confrontos, muitas vezes potencializados por esses vínculos entre torcidas, o que mantém um nível constante de tensão nos dias de jogo. 

Mesmo com planejamento, escoltas e protocolos específicos, esse cenário não é totalmente controlável pela segurança pública. A combinação de grandes deslocamentos, encontros imprevistos e disputas simbólicas faz com que o risco de conflito ainda exista, exigindo ajustes constantes na operação e reforçando o debate sobre prevenção, governança e responsabilidade no futebol brasileiro.